Sistemas solares fotovoltaicos orientados leste-oeste são ideais para comunidades com sistema de compensação de energia.
Um grupo de pesquisadores liderado pelo Politecnico di Torino, na Itália, investigou as orientações e ângulos de inclinação ideais para sistemas fotovoltaicos usados em comunidades energéticas e descobriu que os conjuntos orientados no sentido leste-oeste proporcionam valores de energia compartilhada mais elevados do que as instalações orientadas para o sul.
A orientação leste-oeste é geralmente considerada mais adequada para altas latitudes com baixa radiação solar, permitindo o aproveitamento da luz solar nas primeiras e últimas horas do dia. Esses projetos, no entanto, também podem ser a solução ideal em locais tropicais ou em áreas com espaço disponível limitado, como telhados comerciais.

Primeiramente, a configuração de painéis solares orientada leste-oeste produz uma geração mais estável e consistente ao longo do dia, em comparação com uma instalação convencional voltada para o sul. Além disso, reduz o pico de consumo de energia no centro do parque solar ao meio-dia e estende a duração da produção solar no início da manhã e no final da tarde, com os painéis solares começando a produzir ao nascer do sol e continuando até o pôr do sol. Isso torna esses sistemas preferidos pelas operadoras de rede, pois a energia é fornecida de forma mais uniforme ao longo do dia; além disso, incentiva o autoconsumo residencial no período da tarde, quando os usuários estão com mais frequência em casa.
Além disso, evita-se a projeção de sombras entre as fileiras de painéis solares. Em contrapartida, instalações com painéis solares voltados para o sul projetam sombras das fileiras da frente sobre as fileiras de trás. Em terceiro lugar, em arranjos orientados leste-oeste, a instalação mais compacta dos painéis solares aumenta a densidade de produção de energia por m². Isso é especialmente vantajoso em telhados pequenos, onde esse sistema permite um aumento de até 30% na densidade por metro quadrado.
Outro ponto notável é a sua maior tolerância ao vento. Com um ângulo de inclinação de 15 graus e uma configuração leste-oeste, a pressão do vento é drasticamente reduzida em comparação com uma configuração voltada para o sul, muito mais vulnerável aos ventos do norte. Um aspecto decorrente do ponto anterior é que, devido à menor exposição ao vento, os sistemas solares leste-oeste necessitam de muito menos contrapeso para fixar os painéis solares ao telhado. Isso permite a instalação em telhados menos robustos ou em telhados com outras instalações.
A análise mostrou que, embora a comunidade simulada com sistemas fotovoltaicos orientados para o sul consiga atingir rendimentos energéticos mais elevados, a comunidade baseada em sistemas orientados leste-oeste oferece a vantagem de valores de energia compartilhada mais altos, o que, segundo os cientistas, depende de uma melhor sincronia entre a demanda e a geração de energia fotovoltaica no início da manhã e no final da tarde. "A energia autoconsumida virtualmente pela comunidade energética atinge o valor mais alto para a orientação fotovoltaica para o sul, à custa de um pico de injeção mais elevado na rede", explicaram. "Este é um aspecto significativo em contextos onde a energia compartilhada absoluta dentro da comunidade energética é explicitamente incentivada, como na Itália."
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